Destinos turísticos inteligentes

Juliana Bettini - Ana Clevia Guerreiro

Juliana Bettini - Ana Clevia Guerreiro

Entre os objetivos principais de um destino turístico deve estar oferecer uma experiência mais enriquecedora para quem o visita e, ao mesmo tempo, garantir que os impactos positivos do turismo tragam benefícios para a vida dos cidadãos

O caminho para alcançar esses objetivos passa por melhorar a capacidade de governança e a gestão da atividade turística, desenvolvendo modelos mais sustentáveis, resilientes e inteligentes. Doze municípios brasileiros vão trilhar esse caminho com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio do Programa Turismo Futuro Brasil.
A iniciativa dá apoio técnico especializado direcionado às necessidades de cada localidade, auxiliando no planejamento de suas estratégias de desenvolvimento turístico. Esse apoio tem como base o conceito de Destino Turístico Inteligente (DTI), cada vez mais disseminado mundialmente, que coloca a transformação tecnológica no centro das ações, com um olhar especial também para a sustentabilidade em seus distintos âmbitos.
Esse conceito é especialmente adequado à realidade atual do setor, imerso em transformações de mercado e de modelos de negócios promovidas ou potencializadas pela pandemia. No entanto, conceber modelos inteligentes e implementar as ações necessárias para a transição a esse novo modelo pode ser extremamente desafiador. Para facilitar esse processo, o Programa Turismo Futuro Brasil busca sinergias com outras iniciativas sobre o tema, para que instrumentos de planejamento e gestão do turismo estejam mais disponíveis e sejam aplicados em todo o país.
O trabalho com os 12 destinos selecionados contará com o apoio de uma consultoria externa que, em parceria com representantes dos setores público e privado e do terceiro setor desses municípios, irá desenhar e/ou atualizar suas estratégias de desenvolvimento turístico. A partir daí, serão construídos planos operacionais para colocar essas estratégias em prática, priorizando as ações para cada etapa.
Além disso, as ações mais relevantes contarão com o apoio do Programa na fase de implementação. Todo o trabalho será uma construção conjunta com as cidades, para que as ações de fato atendam às diferentes realidades locais e tenham continuidade ao longo do tempo.

 

Diversidade na seleção dos destinos

A convocatória teve duas fases: primeiro, os destinos interessados submeteram um conjunto básico de informações e, depois, as localidades pré-selecionadas tiveram de apresentar um dossiê mais detalhado sobre suas potencialidades e desafios. O painel de seleção das distintas etapas contou com a participação de especialistas do BID, do Sebrae Nacional e suas unidades estaduais e de instituições parceiras, como o Ministério do Turismo, Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur) e Associação Nacional de Secretários e Dirigentes de Turismo (Anseditur).
O número de inscritos superou as expectativas: foram mais de 250 municípios homologados (ou seja, que enviaram a documentação mínima completa) na primeira etapa. E, mais do que a quantidade, a diversidade de destinos foi um dos aspectos que mais chamou a atenção: representantes de 26 unidades da federação, de diferentes portes e com características territoriais e de atratividade que iam desde destinos de negócios a localidades de sol e praia, passando por destinos de natureza, aventura, e muitos outros.
Seguindo os critérios estabelecidos no edital, que buscou uma representatividade mínima para cada Estado do país, bem como a participação de cidades de diversos tamanhos, 79 municípios passaram para a segunda etapa de seleção, sendo 10 do Centro-Oeste, 27 do Nordeste, 21 do Norte, 12 do Sudeste e 9 do Sul. Destes, 41 eram de pequeno porte (até 50 mil habitantes), 13 de médio porte (até 100 mil habitantes) e 25 de grande porte (mais de 100 mil pessoas).
Ao final do processo, os destinos selecionados foram:
    • Belém (PA)
    • Belo Horizonte (MG)
    • Bombinhas (SC)
    • Bonito (MS)
    • Curitiba (PR)
    • Ilhabela (SP)
    • Novo Airão (AM)
    • Paraty (RJ)
    • Penedo (AL)
    • Pirenópolis (GO)
    • Recife (PE)
    • São Luís (MA)
A lista de selecionados é tão diversa quanto o universo total de participantes, um reflexo da pluralidade de destinos que temos no Brasil.
Capitais que já atuam na temática DTI, como Belo Horizonte, Curitiba e Recife, serão apoiadas a aperfeiçoar processos que já estão em andamento. Municípios com características mais interioranas, localizados em zonas tradicionalmente menos visitadas do país, destacaram a necessidade de direcionar o desenvolvimento para modelos que incorporem o DNA local. Destinos que unem natureza, sol e praia indicaram em suas candidaturas a sustentabilidade ambiental como ponto central em suas estratégias de consolidação. Aqueles que, por suas características, estão mais propensos a sofrer com os impactos das mudanças climáticas, poderão atuar para que suas políticas de turismo incorporem essa realidade, tornando-se mais resilientes.
Essa mescla de capitais, cidades litorâneas e de interior, trará um rico aprendizado sobre as diferentes aplicações do conceito de DTI aos territórios.
O trabalho está só começando!
Saiba mais sobre o Programa: https://www.sebrae.com.br/editalsebraebid

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Juliana Bettini - Ana Clevia Guerreiro

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